terça-feira, novembro 03, 2009

2012 será o fim?

A revista Veja desta semana traz na capa a chamada garrafal “O fim do mundo”. Leia aqui alguns trechos: “O ano de 2012 tornou-se o centro de gravidade do fim do mundo por uma confluência de achados proféticos. Primeiro, surgiu a tese de que a Terra será destruída com a volta do planeta Nibiru em 2012. Depois, veio à tona que o calendário dos maias, uma das esplêndidas civilizações da América Central pré-colombiana, acaba em 21 dezembro de 2012, sugerindo que se os maias, tão entendidos em astronomia, encerraram as contas dos dias e das noites nessa data é porque depois dela não haverá mais o que contar. Posteriormente, apareceram os eternos intérpretes de Nostradamus e, em seguida, vieram os especialistas em mirabolâncias geológicas e astronômicas com um vasto cardápio de catástrofes: reversão do campo magnético da Terra, mudança no eixo de rotação do planeta, devastadora tempestade solar e derradeiro alinhamento planetário em que a Terra ficará no centro da Via Láctea – tudo em 2012 ou em 21 de dezembro de 2012.

“Com tantas sugestões, a profecia ganhou as ruas. No dia 13 de novembro, terá lugar a estreia mundial de 2012, uma superprodução de Hollywood que conta a saga dos que tentam desesperadamente sobreviver à catástrofe final. No site da Amazon, há 275 livros sobre 2012. Nos Estados Unidos, já existem lojas vendendo produtos para o apocalipse. Os itens mais comercializados são pastilhas purificadoras de água e potes de magnésio, bons para acender o fogo. É sinal de que os compradores estão preocupados com água e fogo, numa volta ao tempo das cavernas. Na Universidade Cornell, que mantém um site sobre curiosidades do público a respeito de astronomia, disparou o número de perguntas sobre 2012. Há os que se divertem, pois não acreditam na profecia. Entre os que acreditam, os sentimentos vão da tensa preocupação, como é o caso de Patrick Geryl, autor de três livros sobre 2012, todos publicados no Brasil, até o pavor incontrolável. O fim do mundo é uma ideia que nos aterroriza – e, nesse formidável paradoxo que somos nós, também pode ser a ideia que mais nos consola. Por isso é que ela existe.

“No inventário dos fracassos humanos, talvez não haja aposta tão malsucedida quanto a de marcar data para o fim do mundo. Falhou 100% das vezes, mas continua a se espalhar, resistindo ao tempo, à razão e à ciência. As tentativas de explicar esse fenômeno são uma viagem fascinante pela alma, pela psique, pelo cérebro humano. Uma das explicações está no fato de que o nosso cérebro é uma máquina programada para extrair sentido do mundo. Assim, somos levados a atribuir ordem e significado às coisas, mesmo onde tudo é casual e fortuito. As constelações no céu, por exemplo, são uma criação mental para organizar o caos estelar. Ao enxergarmos as constelações de Órion ou Andrômeda, encontramos ordem e sentido. O dado complicador é que a vida, no céu e na terra, deve muito mais às contingências do acaso do que ao determinismo. O espermatozoide que fecundou o óvulo que gerou Albert Einstein foi um produto do acaso, resultado de uma disputa entre espermatozoides resolvida por milésimos de segundo. Assim como aconteceu, poderia não ter acontecido [mas o que não se pode afirmar é que a origem do espermatozoide seja fruto do acaso]. (...)

“A preponderância do aleatório sobre o determinado pode dar a sensação de desesperança, de que somos impotentes diante de todas as coisas. Talvez nisso residam a beleza e a complexidade da vida, mas o fato é que o cérebro está mais interessado em ordem do que em belezas complexas. Por isso, quando não vê significado nas coisas naturais, ele salta para o sobrenatural. (...) A religião seria uma criação mental através da qual o cérebro atende a sua necessidade por sentido. O apocalipse, nesse caso, é uma saída brilhantemente engenhosa. Explica duas questões que atormentam a humanidade desde sempre: o significado da vida e a inevitabilidade da morte. Somos a única espécie com consciência da própria morte e, no entanto, não sabemos o significado da vida. Afinal, por que estamos aqui? A pergunta, em si, revela nossa busca por sentido, devido à nossa dificuldade de conviver com a possibilidade de que, talvez, não estejamos aqui por alguma razão especial. O apocalipse é uma resposta. Está descrito nos seus mínimos e horripilantes detalhes no Livro do Apocalipse, escrito pelo evangelista João, por volta do ano 90 da era cristã, quando estava preso, perseguido pelo Império Romano.

“O começo do fim do mundo, diz João, será anunciado por sinais tenebrosos: um céu negro, uma lua cor de sangue, estrelas desabando sobre a Terra e uma sucessão de desastres varrendo o planeta na forma de terremotos, inundações, incêndios, epidemias. O Anticristo então dominará a Terra por sete anos [o autor desta matéria devia ter estudado melhor o Apocalipse], ao fim dos quais Jesus Cristo descerá dos céus com um exército de santos e mártires [outra barrigada: Onde está escrito que “santos e mártires” virão do Céu com Jesus?] – e vencerá Satã, a besta. Depois de 1.000 anos acorrentado, Satã conseguirá se libertar e forçará Jesus Cristo a travar uma segunda batalha, a terrível batalha do Armagedom. Derrotado Satã, todos nós, vivos e mortos, nos sentaremos no banco dos réus do tribunal divino [na verdade, o julgamento já terá ocorrido, pois a destruição de Satanás e dos ímpios é a sentença final]. Os bons irão para o paraíso celestial. Os maus arderão no fogo eterno [outro equívoco antibíblico]. (...)

“Nem sempre o apocalipse vem numa embalagem religiosa. A profecia de 2012 começou com base em eventos astronômicos e calendários antigos. Só depois recebeu a adesão de seitas espiritualistas e cristãs, mas originalmente 2012 é, digamos, um fim do mundo pagão. (...)

“As profecias do apocalipse são um desastre como previsão do futuro, mas excelentes como alegorias do presente. A coleção de afrescos e pinturas clássicas que retratam o Juízo Final, como a obra-prima de Michelangelo na Capela Sistina, reflete o temor do tribunal divino e o domínio da Igreja Católica de então. Depois da II Guerra, os filmes de Hollywood, grandes difusores da catástrofe final, passaram a enfocar o fim do mundo como resultado de uma guerra nuclear ou de um monstro deformado pela radioatividade. Estavam narrando as aflições dos americanos com a bomba de Hiroshima e Nagasaki e a chegada da corrida armamentista com a União Soviética. É o momento em que o apocalipse começa a ter duas fontes – a religião e a ciência. Nos anos 60, com as profundas transformações varrendo os EUA, da Guerra do Vietnã à revolução sexual, do advento do computador ao movimento dos direitos civis, dos Beatles a Woodstock, o apocalipse mudou de lugar. ‘O livro da revelação deixou o gueto cristão e entrou no coração da política americana e da cultura popular’, escreve Jonathan Kirsch em A History of the End of the World (Uma História do Fim do Mundo), um ótimo inventário do apocalipse.

“Desde os anos 50, cada década tem pelo menos uma dúzia de filmes apocalípticos dignos de nota, de Godzilla a Apocalypto, de O Planeta dos Macacos a Matrix, de O Bebê de Rosemary a Presságio. Eles sempre narram algo do seu tempo. Há estudiosos que acreditam que mesmo o Livro do Apocalipse teria sido uma resposta às perseguições que os cristãos sofriam no Império Romano – e a besta, o Anticristo, o Satã seriam Nero, o imperador que tocou fogo em Roma. Como os apocalipses tomam a forma de sua época, o Anticristo se atualiza. Na II Guerra, era Adolf Hitler. Hoje, é Osama bin Laden. Isso é claro nos EUA, cuja condição de potência acaba por difundir suas neuroses e seus achados para o mundo todo. O apocalipse na cultura? Antes, eram os hippies com sua percepção extrassensorial e drogas alucinógenas. Depois, no ano 2000, foi o tecnoapocalipse, na forma do bug do milênio. O apocalipse na política? Antes, era o Exército Vermelho. Agora, é o terrorismo islâmico. Como disse Eric Hoffer (1902-1983), que passou a vida como estivador e filósofo: ‘Movimentos de massa podem surgir e se espalhar sem a crença num deus, mas nunca sem a crença num diabo.’

“Nenhuma das hipóteses do fim do mundo em 2012 mencionadas nesta reportagem faz sentido. O planeta Nibiru nem existe. A civilização maia, cujo auge se deu entre 300 e 900 da era cristã, tinha três calendários: o divino, o civil e o de longa contagem, que termina em 2012. ‘Mas os maias nunca afirmaram que isso era o fim do mundo’, diz David Stuart, da Universidade do Texas, considerado um dos maiores especialistas em epigrafia maia. Uma mudança no eixo de rotação da Terra é impossível. ‘Nunca aconteceu e nunca acontecerá’, garante David Morrison, cientista da Nasa, agência espacial americana. Reversão do campo magnético da Terra? Acontece de vez em quando, de 400.000 em 400.000 anos, e não causa nenhum mal à vida na Terra. Tempestade solar? Também acontece e em nada nos afeta. Derradeiro alinhamento planetário em que a Terra ficará no centro da galáxia? Não haverá nenhum alinhamento planetário em 2012, e, bem, quem souber onde fica ‘o centro’ da nossa galáxia ganha uma viagem interplanetária. (...)”

Nota Blog Criacionista: É bastante conveniente para o inimigo de Deus comparar o relato inspirado do Apocalipse a outras “profecias” e mesmo a filmes hollywoodianos. Assim, nivela tudo por baixo e reforça a descrença dos céticos. Para aqueles que creem nesse novo “fim do mundo”, ele (o inimigo) pode estar preparando alguma “surpresa” para 2012. Ou não. O ano pode passar sem que nada de especial ocorra e as pessoas voltarão à sua vida rotineira, mais anestesiadas ainda para a mensagem da volta de Jesus. De qualquer maneira, infelizmente, o inimigo leva vantagem. Note a estratégia satânica: (1) o inimigo afasta as pessoas da Bíblia; (2) desvia a atenção delas para falsas profecias que não levarão a nada, exceto a uma excitação momentânea, sem a necessária santificação (afinal, a motivação neste caso é o medo); (3) passada a data anunciada, as pessoas caem no desânimo ou na descrença. Por isso, é mais do que necessário que a igreja se esforce (sob a direção do Espírito Santo) para mostrar ao mundo a solidez das profecias bíblicas e do método historicista de interpretação profética. É preciso que todos saibam que a Palavra de Deus nada tem que ver com essas “profecias” especulativas e sensacionalistas, pois, “daquele dia e hora ninguém sabe” (Mt 24:34), o que significa que devemos estar preparados para encontrar o Criador a qualquer momento.

NOTA Minuto Profético: Se Jesus voltar até 2012 será porque os sinais revelados pela profecia bíblica já terão se cumprido, e não porque profecias aprócrifas dos Maias, Nostradamos ou similares vão se cumprir. No varejo tudo se resume a isso: A Palavra de Deus é verdadeira e suficiente para minha vida ou não? Algo para o que cada um terá que achar sua própria resposta e ser responsável por ela...

Leia também: "Fé versus Incredulidade".

10 comentários:

Carlos Magno disse...

Sabe aquela historinha de alguém que mente, mente, mente. Até que certo dia fala a verdade e ninguem acaba acreditando?

O inimigo está usando exatamente a mesma estratégia.

Elyson Scafati disse...

O fim e o início do mundo acontece, todos os dias, para aqueles que morrem e nascem, respectivamente.

Quanto ao pacote de profecias e desgraças porvir que existem por ai (maias, nordicas, cristãs, judaicas, budistas, pitonisas, oráculos sibilas, etc), podem ser adaptadas a qualquer fato, ou se este não causou a desgraça esperada, ela será adiada mais um pouco.

É assim que tem funcionado para criar pavor na humanidade e conter os ânimos dos mais exaltadinhos.

Onde há ignorância, miséria e fanatismo, temos fábicas de messias, profetas, profecias,demônios, deuses, seres e pessoas especiais.

O fim do mundo vai chegar, mas, provavelmente não estaremos aqui como espécie, se tudo caminhar bem. Mas podemos ser varridos por um cataclisma espacial, pragas, mudanças climáticas, catástrofes geológicas (Yellowstone já passou da hora de acordar; Vesúvio e e Krakatoa também).

Podem ficar tranquilos Satã e Jesus ou outros combatentes quaisquer, não darão as caras por aqui, exceto na nossa imaginação, em nossos conflitos interiores mal resolvidos...

O inimigo e o amigo somos nós mesmos....

Fabio Santos disse...

Elyson Scafati,

"Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de DEUS." I Coríntios 1:18

DEUS lhe abra os olhos agora...

Elyson Scafati disse...

Fábio meus olhos já abriram faz tempo, muito tempo....

Carlos Magno disse...

Elyson,

Se você estiver certo, todos nós teremos o mesmo fim. Porém, se você estiver errado...


Abs

Alex disse...

Eu pergunto o seguinte: Deus quando criou o tal inimigo não sabia que Ele iria fazer essa algazarra toda? Porque Ele o criou então? Agora Ele assiste calado a essa estratégia toda que vocês falam?
De boa, 2012 é só mais um filme catástrofe, como Idependence Day e o Dia depois de amanhã... (dos quais eu já até esqueci) Aquele que é influenciado por tais filmes precisa se tratar.
Acho que a maioria dos cristãos dão tanto poder ao capeta que se esquecem que se Deus quiser dá apenas um peteleco no tinhoso e muda o rumo dessa história toda.
No mais, se o capeta faz toda essa miséria de engano, maldade e afins, porque Deus permite que Ele faça ou simplesmente, porque não se manifesta de maneira incontestável para facilitar a pregação do evangelho para muçulmanos, budistas, ateus e afins, pois muitos deles são pessoas bem melhores do que muitos que andam com Bíblia na mão.
Fim do mundo todas as religiões pregam e se eu tiver que morrer porque Deus simplesmente jogou o destino da humanidade em dois adolescentes nus no Eden, sabendo que seriam enganados por um esperto anjo caído, qual a culpa que temos nisso tudo? Se eu soubesse que alguem anda ao redor da minha casa para enganar meu filho e afastá-lo de mim, eu puno o enganador ou o enganado?
Sinceramente tudo isso é muito pra minha cabeça!

Elyson Scafati disse...

Carlos Magno

Quer apostar uma pizza para a noite de 13/12/2012?

Pode ter certeza: Ninguém dará as caras por aqui se acontecer alguma desgraça conosco.

Veja que a cada dia que o Sol nasce é um "milagre" no bom sentido da palavra, pois estas desgraças nos circundam pelo cosmos.

Talvez mesmo nosso destino já esteja selado com "ETA - KARINA", uma mega estrela em vias de se tornar uma super nova, que está há 6 mil anos luz daqui. Ao que parece, por pura sorte, seu eixo não parece apontar para cá.

É possível que já tenha se tornado super nova e, se porventura, seu eixo tenha mudado, em breve receberemos uma explosão de raios gama que nos torraria vivos em micro-segundos (não iríamos nem perceber - isso é bom, muito bom...).

Quanto a salvadores, Nova Jerusalém, 1000 anos de paz, etc. é vc mesmo quem os faz ao sair de sua zona de conforto, e ter atitude para ser alguém melhor a cada dia em vez de esperar por alguma coisa do além.

Pode ficar tranqülo que o fim dos seres humanos, por enquanto (se tudo der certo nos próximos 10 mil anos - antes de uma nova glaciação), não será o mesmo (cada um morrerá de uma causa e em tempos diferentes).

Apocalipses já aconteceram muitas vezes e não estamos imunes a eles; é só uma questão de quando.

Mas esteja certo, em nenhum deles apareceu ou aparecerá nenhum messias e nem tiveram ou terão causas sobrenaturais e assim será enquanto o universo existir nos próximos "zilhões" de anos.

Carlos Magno disse...

Elyson,

Só uma coisa que não sei se ficou claro para você. Eu não acredito em nada com relação a "profecia" de 2012 ok?

Você escreve, escreve, escreve e...? Repito, Se você estiver certo todos nós teremos o mesmo fim.[Seja vc bonzinho ou malvado] Porém, se você estiver errado...

Elyson Scafati disse...

Não se preocuipe, todos teremos o mesmo fim Charle Magne: Morreremos um dia é só!

Esqueça não tem ninguém te esperando do outro lado da vida.

Elyson Scafati disse...

By the way Charle Magne o que o faz achar que estou errado?