Robert Ballard é um dos exploradores subaquáticos mais famosos do mundo. Foi ele o arqueólogo que descobriu onde estavam os destroços do naufrágio do Titanic, em 1985. Também encontrou no fundo do mar o navio de guerra Bismarck, e uma frota dos EUA naufragada perto de Guadalcanal, no Pacífico.
Agora, ele está usando sua equipe e a mais avançada tecnologia robótica para provar a existência de uma das histórias mais conhecidas da Bíblia: o Dilúvio.
Em uma entrevista para a rede ABC ele apresentou os resultados de sua pesquisa na Turquia que mostraria evidências de uma civilização varrida da face da Terra por uma enchente monstruosa.
“Nós fomos lá para procurar o Dilúvio”, disse Ballard. “Não apenas um movimento lento, e gradativo de avanço do nível do mar, mas um dilúvio realmente grande… A terra que foi soterrada permaneceu embaixo do mar”.
Outros já afirmaram ter descoberto evidências do dilúvio bíblico. Na década de 1990, os geólogos William Ryan e Walter Pitman reuniram evidências científicas de que uma enorme inundaçãoocorreu na região do Oriente Médio, cerca de 7.500 anos atrás. A teoria, segundo os relatórios, é que uma elevação sem precedentes do que hoje é o mar Mediterrâneo, empurrou uma porção de terra através do Bósforo, submergindo a costa original do Mar Negro. Esse dilúvio antigo teria coberto uma área de mais 35.000 quilômetros quadrados.
Ballard afirma ter investigado esta teoria por mais de uma década. Segundo os relatórios da National Geographic, a primeira descoberta de evidências da costa submersa surgiu em 1999. Embora Ballard ainda não estivesse convencido de que se tratava do dilúvio bíblico, no ano passado mudou de opinião. Sua equipe encontrou no fundo do Mar Negro pilhas de cerâmica antiga, uma embarcação e um dos membros da tripulação. Também há vestígios do que ele acredita ser um antigo porto, mais de 150 metros abaixo da superfície.
“Isso é um naufrágio perfeitamente preservado. Dá pra ver toda a madeira antiga, parece um depósito de madeira”, disse ele. “Mas se você olhar de perto, poderá ver um fêmur e um molar.” E acrescenta: ”O mais antigo naufrágio descoberto até agora naquela área data de cerca de 500 a.C.”.
Agora, usando tecnologia avançada ele tenta descobrir o que ocorreu no planeta cerca de 12.000 anos atrás, uma época em que grande parte da Terra estava coberta de gelo. Quando esse gelo começou a derreter, grandes inundações poderiam ter atingido várias partes do globo, submergindo tudo que estivesse em seu caminho.
Usando o método de datação de carbono em objetos recolhidos na expedição, Ballard acredita que esse evento catastrófico aconteceu em torno do ano 5.000 aC. Alguns especialistas acreditam que foi aproximadamente nesse período que ocorreu o dilúvio de Noé.
O pesquisador disse estar ciente de que nem todos concordam com suas conclusões sobre o período e o tamanho do dilúvio, mas está confiante que em breve encontrará algo do período bíblico. “Começamos a encontrar estruturas que pareciam feitas pelo homem”, disse Ballard. “É nisso que estamos focando nossa atenção agora.”
Os restou do naufrágio estão bem preservados porque o Mar Negro quase não tem oxigênio, o que retarda o processo de decomposição. Para Ballard “o fundo do mar é o maior museu da Terra”.
Ele não tem expectativas de encontrar a Arca de Noé, mas acredita que pode encontrar evidências de um povo que vivia ali quando o mundo foi inundado, cerca de 7.000 anos atrás.
Com muita confiança de que poderá encontrar as provas que procura, Ballard planeja voltar para a Turquia no próximo ano. Suas descobertas serão apresentadas em um programa especial no ABC channel que vai ao ar nos dias 21 e 28 deste mês nos Estados Unidos.
Fonte: Gospel Prime
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sexta-feira, dezembro 14, 2012
terça-feira, junho 12, 2012
Coreia do Sul se rende ao criacionismo
Mencione a teoria do criacionismo, e muitos cientistas logo pensarão nos Estados Unidos, onde crenças religiosas ganham fôlego contra Darwin e a evolução das espécias nas escolas públicas. Mas os sucessos da religião nos EUA são modestos comparados com a Coreia do Sul, onde o sentimento anti-evolução parece estar ganhando sua batalha com a ciência.
No mês passado, o Ministério da Educação, Ciência e Tecnologia sul-coreano acatou uma petição que pedia a remoção de livros didáticos do ensino médio com exemplos da evolução de cavalos e de aves. O movimento tem alarmado os biólogos, que dizem que não foram consultados.
A campanha da petição foi liderada pela Society for Textbook Rever (STR), que, de acordo com o site da instituição, “visa eliminar o erro da evolução dos livros didáticos para ensinamentos corretos aos alunos sobre o mundo”. O site diz ainda que a sociedade tem entre seus membros professores de biologia e professores de ciências do ensino médio.
O STR também está fazendo uma campanha para remover o conteúdo sobre “a evolução dos seres humanos” e a “adaptação dos bicos dos tentilhões com base no habitat e modo de sustento”, uma referência a uma das observações mais famosas de Charles Darwin, em “A Origem das Espécies”. Como argumento, a STR destaca as recentes descobertas de que o Archaeopteryx é um dos muitos dinossauros com penas, e não necessariamente um ancestral de todas as aves. Segundo o psicólogo evolucionista da Universidade Kyung Hee, em Yongin, explorar esses debates sobre a linhagem da espécie é uma “estratégia típica de criacionistas para atacar a evolução em si”.
Anti-evolução
Em uma pesquisa realizada em 2009 para o documentário sul-coreano “A Era de Deus e Darwin”, quase um terço dos entrevistados disseram não acreditar na evolução. Destes, 41% disseram não haver provas cientificas para comprová-la, 39% afirmaram que a evolução contradiz suas crenças religiosas e 17% alegaram não entender a teoria. Os números são semelhantes aos dos Estados Unidos, onde uma pesquisa realizada pela empresa Gallup mostrou que 40% dos norte-americanos não acreditam que os seres humanos evoluíram de uma forma menos avançada de vida.
As raízes para a aversão da Coreia do Sul ao evolucionismo não são claras, embora especialistas sugiram que elas venham, em parte, do forte movimento do cristianismo no país. Cerca de metade da população da Coreia do Sul possui alguma religião, a maioria dividida entre o cristianismo e o budismo.
Até agora, a comunidade cientifica tem feito pouco para combater o sentimento anti-evolução no país: “O maior problema é que existem apenas 5-10 cientistas evolucionistas no país que ensinam a teoria nas escolas de graduação e pós-graduação”, diz Dark Jang, um cientistas evolucionista da Universidade Nacional de Seul. Jang está organizando um grupo de peritos, incluindo cientistas evolucionistas e teólogos que acreditam na evolução para contrariar a campanha da STR.
Fonte: Opinião e Notícia
No mês passado, o Ministério da Educação, Ciência e Tecnologia sul-coreano acatou uma petição que pedia a remoção de livros didáticos do ensino médio com exemplos da evolução de cavalos e de aves. O movimento tem alarmado os biólogos, que dizem que não foram consultados.
A campanha da petição foi liderada pela Society for Textbook Rever (STR), que, de acordo com o site da instituição, “visa eliminar o erro da evolução dos livros didáticos para ensinamentos corretos aos alunos sobre o mundo”. O site diz ainda que a sociedade tem entre seus membros professores de biologia e professores de ciências do ensino médio.
O STR também está fazendo uma campanha para remover o conteúdo sobre “a evolução dos seres humanos” e a “adaptação dos bicos dos tentilhões com base no habitat e modo de sustento”, uma referência a uma das observações mais famosas de Charles Darwin, em “A Origem das Espécies”. Como argumento, a STR destaca as recentes descobertas de que o Archaeopteryx é um dos muitos dinossauros com penas, e não necessariamente um ancestral de todas as aves. Segundo o psicólogo evolucionista da Universidade Kyung Hee, em Yongin, explorar esses debates sobre a linhagem da espécie é uma “estratégia típica de criacionistas para atacar a evolução em si”.
Anti-evolução
Em uma pesquisa realizada em 2009 para o documentário sul-coreano “A Era de Deus e Darwin”, quase um terço dos entrevistados disseram não acreditar na evolução. Destes, 41% disseram não haver provas cientificas para comprová-la, 39% afirmaram que a evolução contradiz suas crenças religiosas e 17% alegaram não entender a teoria. Os números são semelhantes aos dos Estados Unidos, onde uma pesquisa realizada pela empresa Gallup mostrou que 40% dos norte-americanos não acreditam que os seres humanos evoluíram de uma forma menos avançada de vida.
As raízes para a aversão da Coreia do Sul ao evolucionismo não são claras, embora especialistas sugiram que elas venham, em parte, do forte movimento do cristianismo no país. Cerca de metade da população da Coreia do Sul possui alguma religião, a maioria dividida entre o cristianismo e o budismo.
Até agora, a comunidade cientifica tem feito pouco para combater o sentimento anti-evolução no país: “O maior problema é que existem apenas 5-10 cientistas evolucionistas no país que ensinam a teoria nas escolas de graduação e pós-graduação”, diz Dark Jang, um cientistas evolucionista da Universidade Nacional de Seul. Jang está organizando um grupo de peritos, incluindo cientistas evolucionistas e teólogos que acreditam na evolução para contrariar a campanha da STR.
Fonte: Opinião e Notícia
quinta-feira, janeiro 12, 2012
A escrita chinesa evidencia a criação do gênesis
No livro God's Promise to the Chinese, os autores analisam as formas mais antigas da escrita pictográfica da China e encontram as verdades fundamentais do cristianismo. Nestes ideogramas, que datam de antes do tempo de Moisés, encontramos a história completa da criação, a tentação e a queda do homem, e o remédio de Deus para o pecado através dos sacrifícios de animais, que apontavam ao Salvador vindouro, Jesus Cristo. Todos os elementos da narrativa do Gênesis se encontram registrados e ainda em uso nos caracteres da escrita chinesa.
A imagem a seguir [com explicações em espanhol] mostra algumas assombrosas realidades acerca da língua chinesa escrita, indicando que todos estamos relacionados - e não faz muito tempo. Todas as pessoas no mundo, não só os chineses, são descendentes dos habitantes de Babel, a primeira civilização depois do dilúvio. Deus deu pela primeira vez Sua promessa de um Salvador que viria, a "semente da mulher", em Gênesis (3:15). O sacrifício figurado do vindouro Cordeiro de Deus, Criador e Salvador, é tão antigo como a humanidade.
Fonte: Answers in Genesis
Dra. Ethel Nelson
(Veja também o livro lançado pela Sociedade Criacionista Brasileira)
A imagem a seguir [com explicações em espanhol] mostra algumas assombrosas realidades acerca da língua chinesa escrita, indicando que todos estamos relacionados - e não faz muito tempo. Todas as pessoas no mundo, não só os chineses, são descendentes dos habitantes de Babel, a primeira civilização depois do dilúvio. Deus deu pela primeira vez Sua promessa de um Salvador que viria, a "semente da mulher", em Gênesis (3:15). O sacrifício figurado do vindouro Cordeiro de Deus, Criador e Salvador, é tão antigo como a humanidade.
Fonte: Answers in Genesis
Dra. Ethel Nelson
(Veja também o livro lançado pela Sociedade Criacionista Brasileira)
domingo, março 07, 2010
Folha entrevista blog criacionista
O adventista Michelson Borges se considera um moderado. Diz que ele e seus pares não negam totalmente a contribuição humana para o aquecimento global e condena as tendências "pagãs" do movimento ambientalista. Leia trechos da entrevista. (RJL) FOLHA - Ser criacionista hoje equivale automaticamente a negar a mudança climática?
MICHELSON BORGES - É bom que fique claro que os criacionistas não negam a mudança climática e nem a parcela de contribuição humana nisso. Contudo, os que têm estudado o assunto perceberam que o aquecimento global não é totalmente provocado pelo ser humano. Trata-se de um fenômeno natural para o qual a ciência ainda não tem um modelo que possa ser corroborado pelas evidências.
FOLHA - Os meios evangélicos e adventistas brasileiros parecem seguir muito de perto as tendências que nascem nos EUA. Não é problemático aceitar um discurso que talvez tenha mais a ver com necessidades sociais e econômicas americanas?
BORGES - Os criacionistas do Brasil reconhecem que a controvérsia entre darwinistas e criacionistas nos Estados Unidos tem certo tom político, uma vez que muitos que defendem o criacionismo por lá fazem parte da chamada nova direita cristã, fortemente envolvida na vida política do país.
Mas não podemos inferir disso que todos os criacionistas estão preocupados em impor suas ideias por via política. Prova disso é a posição da Sociedade Criacionista Brasileira sobre o ensino do criacionismo nas escolas públicas: somos contra.
FOLHA - Qual o motivo teológico de ver o ambientalismo com reservas?
BORGES - Os cristãos entendem que foram incumbidos por Deus de administrar a criação, não por motivações políticas ou movidos por algum tipo de crença pagã de que a Terra seria uma divindade. Se, de fato, órgãos como o IPCC "maquiaram" informações, por que fizeram isso? O medo de que a Terra estaria com seus dias contados foi alimentado. Vimos um fenômeno: o ambientalismo se tornando uma religião urbana de alcance mundial. A pauta ambiental, ao que parece, deve gerar uma mobilização interdenominacional em torno do domingo como dia de observância religiosa e de "repouso da Terra", tendo em vista que esse dia é sagrado para a maioria dos cristãos [coisa inaceitável para os adventistas, para quem só o sábado é sagrado].
Fonte: Folha de São Paulo, 07 de março de 2010.
Leia a entrevista completa aqui.
NOTA: É a primeira vez que a chamada grande mídia menciona fora da seção de cartas a relação entre o aquecimento global e os interesses pagãos por trás desse movimento (incluindo aí a exaltação do descanso dominical). Anteriormente, só VEJA havia destacado o tema na seção de cartas... Vamos aguardar o desdobramento dessa entrevista...
quarta-feira, setembro 02, 2009
segunda-feira, julho 27, 2009
Criacionismo é destaque no Correio Braziliense

A concepção de que o homem e o Universo foram criados por Deus é a base do criacionismo. Apesar de aceitar algumas conclusões de Darwin, os criacionistas usam a Bíblia como fonte de indícios para a evolução e tentam ligar o sobrenatural e a ciência. “Nossa linha de pensamento é baseada na aceitação da existência de planejamento, projeto, desígnio e propósito na natureza”, afirma Ruy Carlos de Camargo Vieira, presidente da Sociedade Brasileira Criacionista, com sede em Brasília.
[...]
Criacionista, jornalista e autor do blog Criacionismo.com.br, Michelson Borges garante que o criacionismo não está baseado apenas na religião, mas também na ciência experimental. “Reconhecemos a Bíblia como fonte de princípios morais e de respostas satisfatórias para as perguntas fundamentais da humanidade, mas também temos estudos de biólogos criacionistas que pesquisam com outro ponto de vista”, diz. O relato bíblico é considerado fonte para essas pesquisas científicas. Segundo ele, ao contrário da concepção criacionista, o evolucionismo está baseado no fato de que a vida é resultado de causas puramente naturais. “Defendemos a ideia de propósito e planejamento, explicar a vida como resultado da ação criadora de um Deus que ainda hoje se relaciona com o ápice de sua criação: o ser humano.”
Fonte: Correio Braziliense, 28 de junho de 2009.
Leia a entrevista do Correio com o jornalista Michelson Borges.
quinta-feira, julho 23, 2009
Atlas da criação
O autor que escreve sobre o pseudônimo de Harun Yahia nasceu em Ancara (Turquia) em 1956. Ele estudou arte na Universidade Mimar Sinan em Istambul e filosofia na Universidade de Istambul. Desde a década de 80 o autor tem publicado livros sobre política, temas científicos e relativos à fé. Grandemente apreciados ao redor do mundo seus trabalhos têm sido instrumentos para ajudar muitos a ter fé em Deus alcançando uma visão mais detalhada em sua experiência. Seus livros servem a todos os tipos de leitores, independentemente de sua idade, raça ou nacionalidade para se concentrar em um objetivo: alargar a perspectiva do leitor, incentivando-lhe a pensar em um número de questões críticas, como a existência de Deus e para viver os valores por Ele prescritos para ele.(Disponível na Amazon).
sexta-feira, julho 17, 2009
Evolução: livro texto crítico
Livro de autoria de Reinhard Junker e Siegfried Scherer, com a colaboração de mais nove especialistas, dos quais oito doutores, reconhecidos em suas respectivas áreas - Biologia, Botânica, Microbiologia, Embriologia, Química, Paleontologia e Antropologia. Traduzido pela SCB, aborda fundamentos da ciência e da epistemologia, história do pensamento evolucionista, conceitos fundamentais de taxonomia e da sistemática, estudo das causas de evolução e abrangência dos fatores evolutivos, com análise da macroevolução; evolução molecular, com os mecanismos da microevolução; e evolução química. Aborda também a analogia e a homologia, a embriologia, a ontogênese e a biogeografia, o significado do registro fóssil, fundamentos da paleontologia, espécies fósseis, sua extinção, elos perdidos, e o surgimento do ser humano.Fonte: Sociedade Criacionista Brasileira
segunda-feira, julho 06, 2009
Criação: dias literais?

A natureza do relato da criação com os seus seis “dias” (Gênesis 1:5-31) seguidos do “sétimo dia” (Gênesis 2:2-3) é de interesse especial, porque costumeiramente esse período é entendido como significando o curto lapso de uma semana literal. Com base na moderna teoria da evolução natural, tem sido questionado esse curto intervalo de tempo apresentado no relato bíblico da criação. Há um contraste entre o curto período de tempo do relato da criação e as longas eras exigidas pela evolução natural.
(Continua aqui).
domingo, junho 07, 2009
quarta-feira, abril 15, 2009
Ciência paranormal
Leia esta coluna como um desabafo. Após quase três décadas de jornalismo científico, nas quais esse campo deu um salto notável, é desanimador encontrar a imprensa ainda vulnerável ao assédio de grupos marginais que, na falta de melhor nome, caberia caracterizar como "ciência paranormal".
Não se trata bem da pseudociência tradicional, daquele tipo fraudulento que vende barbatana de tubarão ou cogumelo solar como a última palavra da pesquisa. Refiro-me aos cruzados que se empenham no assalto à ciência natural estabelecida. À frente marcham os céticos do aquecimento global -mais bem-sucedidos em suas incursões midiáticas- e da evolução por seleção natural -menos ouvidos por jornalistas, mas com maior inserção social por meio de igrejas e seitas. Não admitem fazê-lo por razões ideológicas, morais ou dogmáticas, como a Igreja Católica nas suas campanhas contra a camisinha e as células-tronco embrionárias, mas usam armas similares.
Sua tática tem por alvo a noção de "ciência estabelecida".
O nome pode ser ruim, mas designa uma coisa boa: o estado da arte do conhecimento, conjunto variável de explicações sobre o mundo natural apoiado em observações e aceito pela comunidade mundial de pesquisadores. O consenso muda o tempo todo, mas mantém um núcleo que Thomas Kuhn chamou de "ciência normal". Esta sobrevive até que observações discordantes se acumulem a ponto de desencadear a famosa "mudança de paradigma". As teorias são abandonadas ou radicalmente transformadas, dando origem a outra ciência normal. Os cruzados do clima e do criacionismo se tomam por cavaleiros do novo paradigma, em investida contra o moinho climático e darwiniano. Promovem qualquer artigo obscuro a resultado discordante que vai derrubar a ciência normal. Alegam censura e repressão, quando sua "ciência" não é reconhecida (como a "teoria" do design inteligente).
Outra tática empregada é apresentar como prova de refutação as lacunas e incertezas inerentes ao conhecimento científico. Os evolucionistas não têm uma explicação completa da origem bioquímica da vida, portanto estão errados. Modelos climáticos não passam de simulações, portanto seus resultados são inservíveis.
O mantra dos céticos do aquecimento é acusar o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima) de ignorar a variabilidade natural do clima. Segundo os cavaleiros do paradigma, o painel da ONU menospreza influências como as variações na radiação solar resultantes dos ciclos de atividade da estrela, ou como vulcões e raios cósmicos. Não é verdade. Os aproximadamente 500 autores e 400 revisores do capítulo sobre a base de ciência física do "Quarto Relatório de Avaliação" do IPCC (AR-4, 2007) consideraram a literatura sobre aqueles fatores naturais, sim. Concluíram que eles contribuem com cerca de um décimo do potencial de aquecimento das atividades humanas, como a emissão de gás carbônico pela queima de combustíveis fósseis e florestas.
É uma questão que admite abordagem empírica. Para isso, cientistas que discordam têm de produzir novos dados e submetê-los à avaliação de seus pares, não de jornalistas. O IPCC pode não ser santo, mas é honesto e transparente. Já os céticos e criacionistas não param de pé sem uma conspiração repressora de governos, imprensa leiga e periódicos científicos para calar os que bebem a Verdade de fontes a que só eles, os escolhidos, têm acesso.
Marcelo Leite
Fonte: Folha de São Paulo, 12 de abril de 2009.
NOTA Marco Antonio Dourado: Prezado Marcelo Leite, ao ler seu artigo "Ciência Paranormal" (Folha de S. Paulo, 12/04/09) afirmando que "os céticos e criacionistas não param de pé sem uma conspiração repressora de governos, imprensa leiga e periódicos científicos para calar os que bebem a Verdade de fontes a que só eles, os escolhidos, têm acesso", lembrei-me de uma fala sua, em conferência na USP - se não me engano, em 2006 -, quando, ao ser questionado sobre os avanços do design inteligente e o criacionismo no Brasil, você foi tão ligeiro e econômico quanto o personagem bíblico Onã: "Não damos espaço."
Por falar em Onã (Gn 38:8-10), não resisti ao trocadilho, após ler o seu artigo: não adianta chorar sobre o "leite" derramado... Mas uma frase do seu texto entra para a história do jornalismo e da ciência brasileiros: "O IPCC pode não ser santo, mas é honesto e transparente." O que significa exatamente "não ser santo", Marcelo? Ironia ou um lapso freudiano?
Causou-me pasmo e tristeza que você viesse a parafrasear um dos slogans mais "honestos e transparentes" já vistos em uma campanha eleitoral: "Maluf não é santo, mas faz."
Curioso que, atualmente e a exemplo do IPCC, outra confraria de gigantes vindique para si os encômios de "honestidade e transparência": o Senado Federal, que, de igual modo, também admite "não ser santo".
Apesar de fustigados pelos sabujos da mídia, Marcelo, os criacionistas buscamos, ao contrário do IPCC, atender a um dos requisitos do nosso injustiçado Criador: "Sede santos como Eu também sou santo" (1Pe 1:16; Lv 11:44; 19:2; 20:7 Am 3:3).
É tão somente por tal requisito que a nossa "honestidade e transparência" produzem conclusões por vezes diversas das conclusões decorrentes da "honestidade e transparência" do IPCC (e, por que não?, do Senado e de Paulo Maluf).
Nossa "honestidade e transparência" podem até não rezar por certos... cânones da Nomenklatura Científica, mas a "fonte" da nossa "Verdade" não é exclusiva a "escolhidos". Nós a partilhamos de bom grado com todos que dela queiram beber.
Essa Fonte - que não é só nossa - é Santa. E é também Honesta e Transparente. Dela beberam Galileu, Kepler, Newton, Pascal e Pasteur, entre muitos.
E, creia-me, ela pode aumentar significativamente a nossa expectativa de vida.
Não se trata bem da pseudociência tradicional, daquele tipo fraudulento que vende barbatana de tubarão ou cogumelo solar como a última palavra da pesquisa. Refiro-me aos cruzados que se empenham no assalto à ciência natural estabelecida. À frente marcham os céticos do aquecimento global -mais bem-sucedidos em suas incursões midiáticas- e da evolução por seleção natural -menos ouvidos por jornalistas, mas com maior inserção social por meio de igrejas e seitas. Não admitem fazê-lo por razões ideológicas, morais ou dogmáticas, como a Igreja Católica nas suas campanhas contra a camisinha e as células-tronco embrionárias, mas usam armas similares.
Sua tática tem por alvo a noção de "ciência estabelecida".
O nome pode ser ruim, mas designa uma coisa boa: o estado da arte do conhecimento, conjunto variável de explicações sobre o mundo natural apoiado em observações e aceito pela comunidade mundial de pesquisadores. O consenso muda o tempo todo, mas mantém um núcleo que Thomas Kuhn chamou de "ciência normal". Esta sobrevive até que observações discordantes se acumulem a ponto de desencadear a famosa "mudança de paradigma". As teorias são abandonadas ou radicalmente transformadas, dando origem a outra ciência normal. Os cruzados do clima e do criacionismo se tomam por cavaleiros do novo paradigma, em investida contra o moinho climático e darwiniano. Promovem qualquer artigo obscuro a resultado discordante que vai derrubar a ciência normal. Alegam censura e repressão, quando sua "ciência" não é reconhecida (como a "teoria" do design inteligente).
Outra tática empregada é apresentar como prova de refutação as lacunas e incertezas inerentes ao conhecimento científico. Os evolucionistas não têm uma explicação completa da origem bioquímica da vida, portanto estão errados. Modelos climáticos não passam de simulações, portanto seus resultados são inservíveis.
O mantra dos céticos do aquecimento é acusar o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima) de ignorar a variabilidade natural do clima. Segundo os cavaleiros do paradigma, o painel da ONU menospreza influências como as variações na radiação solar resultantes dos ciclos de atividade da estrela, ou como vulcões e raios cósmicos. Não é verdade. Os aproximadamente 500 autores e 400 revisores do capítulo sobre a base de ciência física do "Quarto Relatório de Avaliação" do IPCC (AR-4, 2007) consideraram a literatura sobre aqueles fatores naturais, sim. Concluíram que eles contribuem com cerca de um décimo do potencial de aquecimento das atividades humanas, como a emissão de gás carbônico pela queima de combustíveis fósseis e florestas.
É uma questão que admite abordagem empírica. Para isso, cientistas que discordam têm de produzir novos dados e submetê-los à avaliação de seus pares, não de jornalistas. O IPCC pode não ser santo, mas é honesto e transparente. Já os céticos e criacionistas não param de pé sem uma conspiração repressora de governos, imprensa leiga e periódicos científicos para calar os que bebem a Verdade de fontes a que só eles, os escolhidos, têm acesso.
Marcelo Leite
Fonte: Folha de São Paulo, 12 de abril de 2009.
NOTA Marco Antonio Dourado: Prezado Marcelo Leite, ao ler seu artigo "Ciência Paranormal" (Folha de S. Paulo, 12/04/09) afirmando que "os céticos e criacionistas não param de pé sem uma conspiração repressora de governos, imprensa leiga e periódicos científicos para calar os que bebem a Verdade de fontes a que só eles, os escolhidos, têm acesso", lembrei-me de uma fala sua, em conferência na USP - se não me engano, em 2006 -, quando, ao ser questionado sobre os avanços do design inteligente e o criacionismo no Brasil, você foi tão ligeiro e econômico quanto o personagem bíblico Onã: "Não damos espaço."
Por falar em Onã (Gn 38:8-10), não resisti ao trocadilho, após ler o seu artigo: não adianta chorar sobre o "leite" derramado... Mas uma frase do seu texto entra para a história do jornalismo e da ciência brasileiros: "O IPCC pode não ser santo, mas é honesto e transparente." O que significa exatamente "não ser santo", Marcelo? Ironia ou um lapso freudiano?
Causou-me pasmo e tristeza que você viesse a parafrasear um dos slogans mais "honestos e transparentes" já vistos em uma campanha eleitoral: "Maluf não é santo, mas faz."
Curioso que, atualmente e a exemplo do IPCC, outra confraria de gigantes vindique para si os encômios de "honestidade e transparência": o Senado Federal, que, de igual modo, também admite "não ser santo".
Apesar de fustigados pelos sabujos da mídia, Marcelo, os criacionistas buscamos, ao contrário do IPCC, atender a um dos requisitos do nosso injustiçado Criador: "Sede santos como Eu também sou santo" (1Pe 1:16; Lv 11:44; 19:2; 20:7 Am 3:3).
É tão somente por tal requisito que a nossa "honestidade e transparência" produzem conclusões por vezes diversas das conclusões decorrentes da "honestidade e transparência" do IPCC (e, por que não?, do Senado e de Paulo Maluf).
Nossa "honestidade e transparência" podem até não rezar por certos... cânones da Nomenklatura Científica, mas a "fonte" da nossa "Verdade" não é exclusiva a "escolhidos". Nós a partilhamos de bom grado com todos que dela queiram beber.
Essa Fonte - que não é só nossa - é Santa. E é também Honesta e Transparente. Dela beberam Galileu, Kepler, Newton, Pascal e Pasteur, entre muitos.
E, creia-me, ela pode aumentar significativamente a nossa expectativa de vida.
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