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sexta-feira, outubro 17, 2008

Irã: crise financeira é castigo divino

Fim do capitalismo, fracasso da democracia liberal e até castigo divino: para o Irã, a crise financeira mundial revela antes de mais nada a superioridade do modelo da República Islâmica. Para o guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, esta crise deve entrar para a história no mesmo nível que o fim da URSS: "A escola do marxismo entrou em colapso e os barulhos da quebra da democracia liberal ocidental estão sendo ouvidos agora.

"É o fim do capitalismo", afirmou na terça-feira o presidente Mahmud Ahmadinejad, um ultraconservador que tem o apoio do aiatolá Khamenei.

Estas convicções, que têm como fonte os valores da revolução islâmica de 1979, ressurgiram com a chegada de Ahmadinejad ao poder em 2005. Desde então o presidente iraniano critica sempre que possível a suposta "decadência" do mundo ocidental. Ele aproveita a magnitude da atual crise financeira mundial para voltar ao tema.

Ahmadinejad se viu confortado em sua análise pelo fato da Bolsa de Teerã não ter sofrido os abalos dos mercados financeiros do Golfo, apesar disto se dever sobretudo à quase total ausência de investidores estrangeiros na praça iraniana e ao grau extremamente elevado de estatização de sua economia.

A imprensa iraniana, tanto a reformista como a conservadora, atribui a responsabilidade da crise aos excessos do liberalismo. No entanto, algumas autoridades chegaram a conclusões menos ortodoxas. O chefe do Conselho dos Guardiães da Constituição, órgão dominado pelos conservadores, mencionou um "castigo divino".

"Estas pessoas estão colhendo os frutos de suas ações ruins", disse o aiatolá Ahmad Khanati, que também celebrou o fato de "este problema alcançar agora a Europa".

"A razão da derrota deles é que esqueceram Deus e a piedade", disse Ahmadinejad, para quem a catástrofe financeira seria um sinal divino de que "os tiranos e os corrompidos serão substituídos por pessoas piedosas e crentes".

"Um sistema bancário islâmico nos ajudará a sobreviver à crise econômica atual", completou.

O governo iraniano destaca o desenvolvimento do empréstimo sem juros, mas com pouco êxito. Para vários teólogos muçulmanos do Oriente Médio, a crise financeira e a ameaça de uma recessão mundial confirmam a superioridade do sistema econômico baseado na "sharia" islâmica - que proíbe juros, mas autoriza o lucro -, na qual vêem uma "alternativa" ao capitalismo.

"A atual crise mostrou a necessidade de uma reestruturação radical e estrutural do sistema financeiro mundial (...) e o sistema econômico baseado no islã oferece uma alternativa que reduziria os riscos", declarou à AFP o reitor da Faculdade de Estudos Teológicos da Universidade de Doha, Hatem Al-Naqrachaui.

"Os bancos islâmicos não compram a crédito, administram fundos concretos, o que o deixa a salvo das dificultades experimentadas agora pelos bancos americanos e europeus", afirma o diretor geral do "Qatar International Islamic Bank", Abdel Bassat Al-Chibi.

As finanças islâmicas se diferenciam do capitalismo em dois aspectos fundamentais: a recusa aos empréstimos com juros ("riba"), considerados usura, o que o islã proíbe, e especulação; o fato de que riscos e lucros são compartilhados entre o banco e o cliente.

Para o guia supremo iraniano, atual crise reflete a superioridade do modelo político iraniano, que mistura elementos democráticos com teocracia. Khamenei celebrou a "vitória da revolução islâmica sobre as escolas de pensamento marxista e liberal". Para ele, a primeira desapareceu e a segunda está em decadência.

O regime iraniano não atribui nenhuma legitimidade a conceitos como democracia e direitos humanos, que considera tema com os quais as "forças imperialistas" impõem seu domínio no mumdo.

Fonte: AFP

NOTA: Embora concorde que os juros e a especulação sejam excessos prejudiciais do capitalismo, é bom lembrar que a ausência de democracia, da separação Igreja/Estado e dos direitos humanos geralmente encontrados nos países muçulmanos também são flagelos igualmente destrutíveis nessas sociedades. Mas o ponto central na matéria acima vem do fato de que em breve, os próprios protestantes americanos usarão esse argumento (castigo divino) para impôr a Lei Dominical: "Todavia esta mesma classe apresenta a alegação de que a corrupção que rapidamente se alastra é atribuível em grande parte à profanação do descanso dominical, e que a imposição da observância do domingo melhoraria grandemente a moral da sociedade" (Ellen White, O Grande Conflito, p. 587).

terça-feira, setembro 18, 2007

A visão do santuário - Parte 4

Além de alterar a Lei de Deus, os Dez mandamentos, o poder religioso de Roma transferiu o ato de intercessão pelo pecador para o líder da igreja - o sacerdote. Além disso, deitou abaixo o lugar do santuário de Deus, invalidando a contínua intercessão de Cristo, ao estabelecer também a adoração aos "santos". Foi estabelecido um santo para cada necessidade humana (casamento, liquidar dívidas...) e um para cada dia do ano, esvaziando assim, a função mediadora de Cristo no santuário celestial.

Mas, como surgiu a doutrina da adoração e intercessão dos "santos" na Igreja Romana? Ela foi copiada do modelo pagão do Império Romano. O teólogo Orlando Jerônimo de Oliveira assim explica: "A mitologia clássica da Grécia e de Roma ensinava a existência de Dii Majores, divindades superiores, e Dii Minores, divindades inferiores. Os pagãos acreditavam que os Dii Majores possuíam todo o poder e autoridade e que os Dii Minores serviam de mediadores entre os deuses e os mortais, de tal modo que a mitologia grega no Império Romano consistia de muitos deuses e muitos mediadores. Acreditava-se que quando um homem se fazia notável por seus feitos, conquistas e invenções ou qualquer outra coisa que o distinguisse como benfeitor do gênero humano, podia ser canonizado e posto no número dos deuses inferiores. Como deus inferior ou semi-deus vinha a ser um mediador. A simpatia por seus semelhantes, somada aos méritos o tornavam idôneo para desempenhar as funções de intercessor entre os mortais e os deuses maiores. Os filósofos pagãos Hesíodo, Platão, Apuleo, e outros, falam todos nesse sentido. O filósofo Apuleo disse: ‘Os semi-deuses são inteligências intermediárias, por meio das quais nossas orações e necessidades chegam ao conhecimento dos deuses. São mediadores entre os habitantes da Terra e os habitantes do Céu. Eles levam para lá as nossas orações e trazem para a Terra os favores implorados. Eles vão e voltam como portadores das súplicas dos homens e dos auxílios da parte dos deuses’" (A Igreja Católica nas Profecias, p. 107, 108. Editora Ados).

Pesa ainda o fato de que a igreja foi capaz até de comercializar o perdão vendendo indulgências, método contra o qual se levantou Martinho Lutero. Tudo isso contribuiu para desfigurar a imagem de Deus e Sua obra de salvação pela humanidade. De acordo com o Papa Leão XIII a missa substituiu o trabalho de Cristo no santuário celestial: "Os sacrifícios do Velho Concerto eram sombras do futuro sacrifício da cruz muito antes já do nascimento de Cristo. Após a Sua ascensão ao céu, um sacrifício idêntico continuou na missa...Nosso Divino Redentor quis que o sacrifício consumado uma vez na cruz se prolongasse para sempre. E isto é feito através da missa" (citado por Edwin Thiele, Apostila de Daniel, p. 93). De fato, o apóstolo Pedro (de quem o bispo de Roma diz ser sucessor), quando diante de um pecador para conceder-lhe perdão, não assumiu essa responsabilidade que só compete a Jesus, mas aconselhou-o a rogar a Deus pelo perdão (Atos 8:20-23).

O Dr. Frank Holbrook, em sua obra, O Sacerdócio Expiatório de Jesus Cristo (Casa Publicadora Brasileira), p. 190, faz um resumo das características do chifre pequeno aplicando-as a Igreja Romana:
1- Ataca a Lei de Deus e a verdade (Dn 7:25; 8:12).
2- Difama o caráter de Deus distorcendo-o (Dn 7:25).
3- Usurpa o lugar de Deus em Sua igreja e alcança o domínio mundial (Dn 7:8, 26 e 27; 2Ts 2:4).
4- Rebaixa o ministério sacerdotal de Cristo no santuário (Dn 8:10-13).
5- Ataca e destrói o verdadeiro povo de Deus (Dn 7:25).

Veremos no próximo estudo que a influência exercida pelo chifre pequeno para desviar as pessoas do ministério sacerdotal de Cristo cessaria após "duas mil e trezentas tardes e manhãs" (Verso 14). Assim, todas as profecias de Daniel registradas séculos antes de Cristo vir à Terra, cumpriram-se totalmente, o que demonstra a existência de um poder sobrenatural que transmitiu as profecias e que também auxilia na sua compreensão atual: "Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais" (1Co 2:13).

A visão do santuário - Parte 3

A esta altura do estudo, deve estar bem claro em nossa mente que o santuário terrestre dos judeus era um modelo (cópia) do santuário existente no céu: "Os quais [sacerdotes] ministram em figura e sombra das coisas celestes, assim como foi Moisés divinamente instruído, quando estava para construir o tabernáculo; pois diz ele: Vê que faças todas as coisas de acordo com o modelo que te foi mostrado no monte" (Hb 8:5). Da mesma forma, devemos ter consciência que Cristo ascendeu ao céu para realizar a obra de intercessão no santuário celestial: "É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós" (Rm 8:34). "Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus" (Hb 9:24). "Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo" (1Jo 2:1). Ainda mais evidente é o fato de que as Escrituras apontam Jesus Cristo como único intercessor entre Deus e os homens: "Porquanto há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem" (1Tm 2:5).

Voltando à visão de Daniel capítulo 8...

VISÃO: "De um dos chifres saiu um chifre pequeno e se tornou muito forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa" (Verso 9).
INTERPRETAÇÃO: "Levantar-se-á um rei de feroz catadura e especialista em intrigas" (Verso 23). O chifre pequeno, ou ponta pequena, representa também um rei ou reino. Há um detalhe de suma importância no verso em consideração. Os que usam a tradução em português das Escrituras, precisarão de muito cuidado ao analisar o texto. Quando o verso 9 diz que "de um deles saiu um chifre pequeno" o leitor pode ficar em dúvida, pois pode estar se referindo a "de um dos chifres" ou "de um dos quatro ventos do céu" do verso anterior. No original hebraico não existe a palavra "chifres" no verso 9. Para esclarecer a dúvida precisamos analisar o gênero das palavras. No caso, a língua hebraica admite o gênero masculino, feminino ou neutro. O pronome "deles" está no masculino e por isso não pode combinar com "chifres" que está no feminino. A combinação se dá com a palavra "ventos" do verso anterior que está no masculino. O poder representado pelo chifre pequeno saiu de um dos quatro ventos da terra, ou seja, de um dos quatro pontos cardeais. Na verdade, de acordo com a seqüência de poderes encontrados na visão de Daniel 7, esse chifre pequeno só pode estar simbolizando o Império de Roma e por extensão a Igreja Romana. O Império de Roma surgiu à oeste em relação aos reinos divididos do Império Grego. E estendeu seu domínio (tornou-se forte) ao conquistar a Macedônia (168 A.C.), a Síria (65 A.C.), a Palestina (63 A.C.) e o Egito (30 A.C.).

VISÃO: "Cresceu até atingir o exército dos céus; a alguns do exército e das estrelas do céu lançou por terra e os pisou" (Verso 10).
INTERPRETAÇÃO: "Causará estupendas destruições, prosperará e fará o que lhe aprouver; destruirá os poderosos e o povo santo" (Verso 24). Tanto o Império de Roma quanto a Igreja Romana foram duros em sua oposição aos inimigos. Os romanos destruíram completamente seus inimigos políticos, e nos primeiros séculos da Era Cristã perseguiram também os cristãos (os santos de Deus). Roma não admitia que os cristãos negassem adoração ao imperador romano considerado como um deus por seus súditos. Aqueles que rejeitavam os costumes pagãos difundidos pelo Império eram jogados na arena para lutar com animais ferozes e serviam de espetáculo à turba assassina. Muitos ainda foram queimados, executados e torturados nessa época. Da mesma forma, a Igreja Cristã perseguiu por toda a Idade Média aqueles que não prestavam honras a seus líderes nem a seus dogmas. A Inquisição foi o órgão interno da igreja para repressão dos hereges. Os waldenses, albigenses, huguenotes, hussitas (grupos que se opuseram a Roma), foram massacrados diversas vezes pela Inquisição. Em 1572, em Paris, aconteceu o massacre do Dia de São Bartolomeu, onde morreram milhares de inocentes. Esse órgão interno de repressão da Igreja Romana ainda existe e, atualmente, chama-se "Congregação para a Doutrina da Fé".

VISÃO: "Sim, engrandeceu-se até o príncipe do exército; dele tirou o sacrifício diário e o lugar do seu santuário foi deitado abaixo" (Verso 11).
INTERPRETAÇÃO: "Por sua astúcia nos seus empreendimentos, fará prosperar o engano, no seu coração se engrandecerá e destruirá a muitos que vivem despreocupadamente; levantar-se-á contra o Príncipe dos príncipes, mas será quebrado sem esforço de mãos humanas" (Verso 25).


Se o "exército dos céus" contra quem o chifre pequeno lutou são os "santos de Deus", então o Príncipe do exército é o próprio Filho de Deus: Jesus Cristo. O Império Romano "engrandeceu-se" contra Ele na pessoa de Pilatos e dos soldados romanos que O torturaram e O crucificaram. E "deitaram o lugar do seu santuário abaixo" quando no ano 70 D.C. os romanos destruíram Jerusalém e o templo dos judeus não deixando ali "pedra sobre pedra". Já a Igreja Romana (uma extensão do Império Romano), levantou-se contra Cristo e "dele tirou o sacrifício diário", quando substituiu alguns dos ensinamentos bíblicos por tradições humanas. A melhor tradução para "sacrifício diário" é "contínuo", e não se refere ao sacrifício mas sim à intercessão contínua de Cristo no santuário celestial (prefigurada pela intercessão diária do sacerdote no santuário terrestre): "Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém, no mesmo céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus" (Hb 9:24). De alguma forma a Igreja Romana anularia a intercessão que Cristo foi realizar no céu. Na verdade, "a igreja medieval assumiu várias das prerrogativas de Cristo, o príncipe do exército, e obscureceu Seu ministério sumo sacerdotal levado a efeito no santuário celestial" (C. Mervyn Maxwell, Uma Nova Era segundo as Profecias de Daniel, p. 180).

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sexta-feira, setembro 14, 2007

O cerimonial do santuário terrestre - Parte 3







O cerimonial do santuário terrestre - Parte 2






















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O cerimonial do santuário terrestre - Parte 1

O povo de Deus havia permanecido durante séculos como escravos no Egito. Através de um milagre o Senhor os libertou do jugo da escravidão e prometeu introduzi-los na Terra Prometida. Porém, como estivessem acostumados com a escravidão e com a idolatria do Egito, esqueceram-se da prática da religião verdadeira. Deus tinha por objetivo restabelecer a religião entre o povo. Por isso resolveu instituir um método didático e permanente: "E me farão um santuário, para que eu possa habitar no meio deles" (Ex 25:8). Através do cerimonial do santuário esperava Deus ensinar o evangelho a um povo inculto e contaminado com as influências da idolatria egípcia.

O santuário possuía três compartimentos: o Pátio, o lugar Santo e o lugar Santíssimo. Em cada um desses compartimentos havia móveis que eram utilizados no serviço cerimonial. No Pátio havia: o altar dos holocaustos e a pia onde os sacerdotes se purificavam. No lugar Santo estava: o altar de incenso, o castiçal com sete lâmpadas e a mesa dos pães da proposição. E no Santíssimo: a arca com a Lei de Deus e o propiciatório com dois querubins voltados um para o outro. Separando o Pátio externo do Santo, bem como o Santo do Santíssimo havia um véu ou cortina.

Todo o cerimonial do santuário visava ensinar algumas lições ao povo:
1- A morte diária de um cordeiro ensinava que o pecado implica em morte: "Porque o salário do pecado é a morte" (Rm 6:23).
2- O perdão só pode ser alcançado com derramamento de sangue (porque a vida está no sangue): "Com efeito, quase todas as coisas, segundo a Lei, se purificam com sangue; e, sem derramamento de sangue, não há remissão" (Hb 9:22).
3- O homem precisa de um mediador para interceder por ele (só o sacerdote podia entrar no Santo e ministrar com o sangue derramado): "Ora, o essencial das coisas que temos dito é que possuímos tal sumo sacerdote, que se assentou à destra do trono da majestade nos céus, como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, não o homem" (Hb 8:1, 2). "É Cristo Jesus quem morreu ou, antes quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós" (Rm 8:34).

O sacerdote era o mediador entre o pecador e Deus. Após o sacrifício do animal, o sacerdote entrava no lugar Santo e aspergia o sangue do animal no altar de ouro e juntamente com o incenso (que representava as orações do povo subindo com a justiça de Cristo) fazia a intercessão pelo pecador. No lugar Santíssimo, entre os querubins, Deus se manifestava através de uma glória muito intensa e falava com o Sumo Sacerdote (chefe dos sacerdotes), que entrava uma vez por ano nesse compartimento para purificar o santuário de todos os pecados que, simbolicamente, foram transferidos para lá durante aquele ano (esse dia especial de purificação era chamado Dia da Expiação, e era o dia mais importante do cerimonial do santuário).

Todo o cerimonial visava apontar para o sacrifício e intercessão de Cristo. Quando Cristo morreu na cruz esse cerimonial perdeu a função e a validade. O "tipo" encontrou o "antítipo". E Deus demonstrou claramente esse fato, conforme diz as Escrituras: "Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas" (Mt 27:51). É por isso que o povo de Deus, a partir de então, não precisa mais oferecer holocaustos. A morte de Cristo já é uma realidade histórica. Nossa fé está baseada em um fato histórico consumado, e não em algo que ainda está por vir.

O assunto do santuário é importante para compreensão de outros temas da Bíblia, principalmente das profecias. Os "tipos" do santuário terrestre profetizam o plano da salvação em dois sentidos: quanto aos acontecimentos em si e quanto ao tempo em que cada um ocorreria. O Pátio externo com seus utensílios tipificava a fase do ministério terrestre de Jesus. Já o lugar Santo apontava para o ministério intercessor de Jesus no santuário celestial. E o lugar Santíssimo prefigurava o juízo e o segundo Advento de Cristo.

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quinta-feira, julho 19, 2007

O quartel general do Universo

Se há um assunto que todos as pessoas deveriam compreender em profundidade é a verdade sobre o santuário de Deus. Da compreensão desse tema depende nosso destino eterno. A melhor fonte para a compreensão desse tema é a Bíblia – a Revelação de Deus a humanidade.

Em Êxodo 25:8,9 encontramos Moisés recebendo a ordem divina: "E me farão um santuário, para que eu possa habitar no meio deles. Segundo tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo e para modelo de todos os seus movéis, assim mesmo o fareis". Os judeus construíram um santuário baseado em um "modelo". A palavra hebraica usada para "modelo" (Tabnît) implica necessariamente em algo tridimensional, o que aponta para a existência de um santuário celestial, onde Deus habita e de onde o mesmo Deus governa o Universo (Quartel General). De fato, essa realidade é confirmada por vários outros textos bíblicos:

"Olha desde a tua santa habitação, desde o céu, e abençoa o teu povo, a Israel". Deuteronômio 26:15
"Na minha angústia, invoquei o Senhor, clamei a meu Deus; ele, do seu templo, ouviu a minha voz... Então, a terra se abalou e tremeu...". 2 Samuel 22:7,8.
"Ouve, pois, a súplica do teu servo e do teu povo de Israel, quando orarem neste lugar; ouve no céu, lugar da tua habitação; ouve e perdoa". 1 Reis 8:30.
"A sua voz [dos sacerdotes] foi ouvida, e a sua oração chegou até à sua santa habitação de Deus, até aos céus". 2 Crônicas 30:27.
"O Senhor está no seu santo templo; nos céus tem o Senhor seu trono". Salmo 11:4.
"Na minha angústia, invoquei o Senhor, gritei por socorro ao meu Deus. Ele do seu templo ouviu a minha voz, e o meu clamor lhe penetrou os ouvidos". Salmo 18:6.
"Que o Senhor, do alto do seu santuário, desde os céus, baixou vistas à terra". Salmo 102:19.
"O Senhor, porém, está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra". Habacuque 2:20.
"... possuímos tal sumo sacerdote, que se assentou à destra do trono da Majestade nos céus, como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o senhor erigiu, não o homem". Hebreus 8:1,2.
"Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação". Hebreus 9:11.
"Abriu-se, então, o santuário de Deus, que se acha no céu, e foi vista a arca da Aliança no seu santuário, e sobrevieram relâmpagos, vozes, trovões, terremoto e grande saraivada". Apocalipse 11:19.

Outro fator destacado na Revelação é que o grande conflito começou no santuário celestial:
"Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo". Isaías 14: 12-14. Lúcifer desejava assentar-se no "monte da congregação", porque ali estava localizado o templo de Deus. De fato, dentro das religiões pagãs acreditava-se que os deuses sempre habitavam nos montes (Lúcifer conhecia a realidade celestial e implantou essa realidade no paganismo).
Outro texto interessante encontra-se em Ezequiel 28:11-18 (Oráculo contra o príncipe de Tiro). Ali é mencionado um rei por trás do príncipe de Tiro. Esse rei só pode ser uma entidade espiritual, já que as expressões usadas para descrevê-lo e qualificá-lo não podem aplicar-se a um ser humano: "cheio de sabedoria", "perfeito em seus caminhos" e "estiveste no Éden". No verso 14, este ser espiritual foi descrito como "querubim da guarda ungido". A palavra hebraica usada para "guarda" refere-se à função dos querubins que assistiam a Deus no lugar santíssimo do santuário celestial, o que demonstra que Lúcifer era um desses querubins e que o conflito entre o bem e o mal teve seu início no próprio santuário celestial! Fica claro, então, por que Satanás odeia tanto o ministério do Pai e de Jesus Cristo no santuário celestial.

quinta-feira, junho 28, 2007

A misericórdia e a ira de Deus - Parte 3

Satanás quer ser o dono deste mundo, e pretende ter como seus súditos todos os habitantes da Terra. Pretende fundar aqui seu reino do mal para sempre. Cristo veio para quebrar o pecado que acorrenta os homens ao Diabo. Em outras palavras, vivemos no meio de um conflito cósmico, onde as forças do bem e do mal lutam para obter o controle da mente humana. Deus usa como arma Sua infinita misericórdia para atrair o ser humano. Quando este O rejeita permanentemente, Deus com dor no coração afasta-se dele, e o deixa seguir seu próprio caminho. Jesus disse que só há dois caminhos nesta vida (Deus ou Satanás) e não existe um terceiro; e o homem que não está com Deus automaticamente está a serviço das forças do mal: “Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha”. Mt 12:30.


ATITUDES QUE PROVOCAM A IRA DIVINA

Idolatria: (Dt 6:14 e 15; 9:8-12; 32:21), (Js 23:16), (Jz 2:12 e 13; 3:7; 10:6), (1 Rs 14:9; 22:54), (2 Cr 25:14 e 15; 28:24 e 25), (Jr 25:6).
Consultar espiritismo e adivinhação: (2 Rs 21:6).
Desprezar a Palavra de Deus e zombar de seus mensageiros: (2 Cr 36:16).
Profanar o sábado: (Neemias 13:18), (Ez 20:21).
Rejeitar as advertências do Senhor: (Jr 32:32 e 33).
Falar contra o porta-voz de Deus: (Nm 12:9 e 10).
Prática da prostituição e do adultério: (Cl 3:5 e 6).
(Uma lista mais completa de atitudes que provocam a ira de Deus está em 2 Rs 17:7-23).

O apocalipse revela que o dia da ira do Cordeiro acontecerá somente quando Deus permitir: “Depois disto, vi quatro anjos em pé nos quatro cantos da terra, conservando seguros os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem sobre árvore alguma”. Ap 7:1. “Ventos”, em profecia simbolizam conflitos, guerras e por extensão todas as demais manifestações da ira divina: “Trarei sobre Elão os quatro ventos dos quatro ângulos do céu e os espalharei na direção de todos estes ventos; e não haverá país aonde não venham os fugitivos de Elão. Farei tremer a Elão diante de seus inimigos e diante dos que procuram a sua morte; farei vir sobre os elamitas o mal, o brasume da minha ira, diz o Senhor; e enviarei após eles a espada até que venha a consumi-los”. Jr 49:36 e 37

O que chama a atenção em todo esse estudo é perceber que Deus é infinitamente mais misericordioso do que a nossa imaginação possa conceber. E o ministério do juízo divino só entra em ação depois que o ministério da graça e misericórdia realizou tudo que estava ao seu alcance para conquistar o coração dos habitantes desse mundo.

Estamos próximos de ver o cumprimento profético da Ira do Cordeiro. Até lá todos estão tendo oportunidades para conhecer melhor a Deus e o Seu amor demonstrado no plano da salvação para redimir o ser humano. Nosso destino eterno dependerá da resposta que dermos ao convite de misericórdia que Deus nos oferece.

“Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida” Ap 22:17.

A misericórdia e a ira de Deus - Parte 2

Como regra geral, a ira de Deus se manifesta por uma simples atitude dEle: retirar Seu favor e Sua proteção do ser humano: “Não me escondas, Senhor, a tua face, não rejeites com ira o teu servo; tu és o meu auxílio, não me recuses, nem me desampares, ó Deus da minha salvação”. Sl 27:9. “Assim sucedeu por causa da ira do Senhor contra Jerusalém e contra Judá, a ponto de os rejeitar de sua presença”. Jr 52:3. De fato, como regra geral, Deus não manda nenhum raio do céu para atingir o ser humano por mais pecador que seja. Na maioria dos casos, Deus não é o agente ativo da Sua ira. A Bíblia revela quem, geralmente, é o agente ativo da ira divina. Ao compararmos dois textos que tratam da mesma história chegaremos a uma conclusão correta: “Tornou a ira do Senhor acender-se contra os israelitas, e ele incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, levanta o censo de Israel e de Judá”. 2Sm 24:1. No livro de Crônicas encontramos o relato paralelo: “Então, Satanás se levantou contra Israel e incitou a Davi a levantar o censo de Israel”. 1Cr 21:1. Aparentemente, os dois textos dizem o contrário. Porém, quando estudamos este assunto da ira de Deus, compreendemos que esses textos não são contraditórios, pois Satanás, via de regra, é o agente ativo da ira divina. Quando Deus abandona o pecador em seus próprios caminhos e retira dele Sua proteção (anjo da guarda, o Espírito Santo), e quando esconde dele Seu rosto e Seu favor, o impenitente fica à mercê das hostes do mal e dos inimigos do povo de Deus controlados por Satanás. Em última análise, o diabo aproveita a oportunidade para enganar e destruir a humanidade que rejeita a misericórdia de Deus.

No passado, em muitas ocasiões Deus manifestou Sua ira, lançando Israel longe de Sua presença. Apesar de que a misericórdia divina sempre ia muito além do que poderia se esperar: “Porém o Senhor teve misericórdia de Israel, e se compadeceu dele, e se tornou para ele, por amor da aliança com Abraão, Isaque e Jacó; e não o quis destruir e não o lançou ainda da sua presença”. 2Rs 13:23. Se dependesse somente de Deus, nunca Ele trocaria a misericórdia por Sua ira para com o ser humano. Acontece que a humanidade é livre para escolher seu próprio caminho; e nessa liberdade acaba escolhendo rejeitar a misericórdia e o favor divinos. É exatamente quando isso repetidamente acontece que Deus derrama Sua ira: “...a boa mão do nosso Deus é sobre todos os que o buscam, para o bem deles; mas a sua força e sua ira, contra todos os que o abandonam”. Ed 8:22.

A manifestação da ira divina pode envolver o engano (1Rs 22:19-23) e a destruição: “O Senhor fará ouvir a sua voz majestosa e fará ver o golpe do seu braço, que desce com indignação de ira, no meio de chamas devoradoras, de chuvas torrenciais, de tempestades e de pedra de saraiva”. Is 30:30. Em outras palavras, quando Deus permite, Satanás e seus agentes podem enganar ou usar as forças da natureza para causar incêndios, enchentes, furacões, tempestades, secas etc. Ainda outro meio muito usado como manifestação da ira divina é a violência e a guerra patrocinadas pelos inimigos do povo de Deus: “Ainda que o exército dos siros viera com poucos homens, contudo, o Senhor lhes permitiu vencer um exército mui numeroso dos judeus, porque estes deixaram o Senhor, Deus de seus pais. Assim, executaram os siros os juízos de Deus contra Joás”. 2Cr 24:24.

Os inimigos do povo de Deus podem ser instrumentos de Sua ira: “Depois disto, diz o Senhor, entregarei Zedequias, rei e Judá, e seus servos, e o povo, e quantos desta cidade restarem de pestilência, da espada e da fome na mão de Nabucodonosor, rei da Babilônia, na de seus inimigos e na dos que procuram tirar-lhes a vida; feri-los-á a fio de espada; não os poupará, não se compadecerá, nem terá misericórdia”. Jr 21:7.

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A misericórdia e a ira de Deus - Parte 1

Na Palavra de Deus encontramos um tema que tem trazido desconforto e até confusão para os cristãos: a ira de Deus e Seus juízos. Como pode Deus ser amor e ainda assim derramar Seus juízos sobre a humanidade? O profeta João viu em visão a reação daqueles que não estarão preparados para a Volta de Cristo: “E disseram aos montes e aos rochedos: caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o Grande dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?”. Ap 6:16 e 17. O mesmo Cordeiro de quem João Batista disse “eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29), determinou um dia de acerto de contas com a humanidade pecadora, no qual derramará Sua ira sobre os impenitentes. Esse dia é chamado no Apocalipse de “O Dia da Ira do Cordeiro”. Como entender esse duplo comportamento de Cristo? Para esclarecer esse assunto tão importante precisaremos estudá-lo num contexto mais amplo observando os dois lados de uma mesma moeda: misericórdia versus ira de Deus.


Em primeiro lugar, devemos saber que a misericórdia de Deus alcança toda a humanidade: “Benigno e misericordioso é o Senhor, tardio em irar-se e de grande clemência. O Senhor é bom para todos, e as suas misericórdias permeiam todas as suas obras”. Sl 145:8 e 9. Ele não deseja a morte de ninguém: “Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva”. Ez 33:11. “Ele, porém, que é misericordioso, perdoa a iniqüidade e não destrói; antes, muitas vezes desvia a sua ira e não dá largas a toda a sua indignação”. Sl 78:38. “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se a cada manhã. Grande é a tua fidelidade”. Lm 3:22 e 23. Na verdade, a misericórdia de Deus é infinitamente superior a sua ira: “Porque não passa de um momento a sua ira; o seu favor dura a vida inteira”. Sl 30:5. “O Senhor é tardio em irar-se, mas grande em poder e jamais inocenta o culpado”. Na 1:3. Deus não tem prazer na Sua ira, pelo contrário, é um ato estranho ao Seu caráter: “Porque o Senhor se levantará, como no monte Perazim, e se irará, como no vale de Gibeom, para realizar a sua obra, a sua obra estranha, e para executar o seu ato, o seu ato inaudito”. Is 28:21. Sem dúvida, a misericórdia divina é tão grande e importante que na Bíblia encontramos um salmo inteiro demonstrando essa verdade: “Porque a misericórdia do Senhor dura para sempre”. Sl 136.


Muitos podem pensar que, geralmente, Deus é o agente ativo de Sua própria ira. Porém, uma análise mais profunda da Bíblia nos levará a uma conclusão diferente. Senão vejamos: “[Senhor] abandonará a Israel por causa dos pecados que Jeroboão cometeu e pelos que fez Israel cometer”. 1 Rs 14:16. “Nesse dia, a minha ira se acenderá contra ele; desampará-lo-ei e dele esconderei o rosto, para que seja devorado; e tantos males e angústias o alcançarão, que dirá naquele dia: Não nos alcançaram estes males por não estar o nosso Deus no meio de nós?”. Dt 31:17.

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